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A mostrar mensagens de 2011

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Condições impróprias, inseguras
Num querer imaginário sem outras aberturas
Palavras rebeldes, emaranhadas
Outonos emergentes em doutrinas engranzadas


Medos activos, tristemente descobertos
Dificuldades enganadoras, de menus secretos
Cada pedaço de papel escrito e rescrito
Imperdoavelmente precário e restrito


…e… assim se prossegue, cada dia
Que se me dissessem ser meu, nunca me perdoaria


Cada momento preso ao poder do condenável
Cada espaço envolto num saber pouco estável
Questões frias, que aquecem o medo
Apetites entibiados que se escondem num enredo

sempre...

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...em frente até Atlântida...

medo

Medo de dizer e de calar
Medo de ser e de estar
Sem saber o que fazer ou o que está certo
Tudo à volta fica tão longe e tão perto
Ouvir as vozes que tudo e nada dizem
Experimentar as emoções sem que fiquem ou amenizem
Medo do que há e do que vem
Querer todos e ninguém, ninguém sabe o que tem
Medo de estar certo e de errar
Medo de cair sem aterrar
Nadar sem saber flutuar
Naufragar sem saber navegar
Ouvir sem saber silenciar
Emudecer e por fim humedecer
Fazer tudo sem querer, sem nada querer
Medo de ficar e de partir
Medo de repartir
Medo de sonhar
Medo de ganhar
Medo porque sim
Medo porque há mesmo um fim

sabor

Por aqui, além
O vento e a chuva quente
O norte e o sul intenso
Aquém da pobreza

Tenho a vontade
Não me falta sequer a paz
O sabor de cada emoção
Emergida em cada espaço

Conquistar, sem vintém
O profundo sossego dormente
Vivido sem consenso
Nem a serenidade de uma certeza

Para nada importa a idade
Nem interessa ser audaz
Trago em mim um coração
Que tudo sente sem embaraço

assente

pARADO INSISTE EM MANTER FIRME E CONSTANTE A SUA ACÇÃO, ALICERÇANDO AS CONVICÇÕES NOS MAIS PROFUNDOS PILARES, COMO UMA REPRESA QUE TUDO SEGURA, SEM ABALOS, FIRMEMENTE, SEM VACILAR, SEM DUVIDAR, SEM IMPORTUNAR A VONTADE QUE ASSUME A COERÊNCIA COM TODOS OS ACTOS FIRMADOS DESDE SEMPRE.
aTÉ QUE MOVE UM DEDO...
...

entre

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É assim tão simples
Suspirar basta

Peço que contemples
O coração aquieta

olhar

Sobre um olhar esparso, infrutífero, fica a impressão do visível.
Não mais que interpretável.
Fica a soar, a mente incauta, irreversível.
Vê-se o cão saltar, enquanto as ervas são colhidas.
Actos desprendidos, ordinários e nada mais para dar.

Mas o cão salta feliz. Será porque as mãos sabem onde cair. Afirmo. Agora dou-te nada. Depois o caminho, algo onde e por onde seguir.

Fica o olhar que nada viu. A sentença permanece e será eterna, sem interpretação, mais nada fica.
E para sempre, um momento profundo perde-se quieto e sereno.

Pretérito.

.

fome

As vidas correm como bocas para alimentar. Ligadas a um estômago caprichoso cheio de desejos apresentados como inequívocos em contextos concretos, insidiosos ávidos de satisfação imediata. A não escolha fantasiada pela aparência da opção. Se falta uma vitamina, um mineral, a fome persiste, insensível aos próprios nutrientes ou menus, empanturrando-se de tudo o que mais possa compensar a insatisfação da carência. As direcções nomeiam-se à medida da fome. Os dias passeiam-se com mais ou menos fome. As vidas vivem com mais ou menos fome.

sol

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O sol.Mais que tudo,A essência.

água

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(Seia, Distrito da Guarda - Portugal)

O princípio e o meio.
Liberta-se e permite o fim.
O sol(vente) primordial.
O todo e o tudo.

Real

Querer estar bem é realista: é o que sinto no sossego da água luzente. Admiro as cores e o espaço esclarece ser maior. Aparto-me de corrigir a emoção. A sonância promete a conquista de ápices perseverantes. Os sons calmos mas distintos acalentam o íntimo. Ideias simples de grafias livres e semelhantes, a indagação deve ser diferente. Deixar soltar a areia, esquematizar a amálgama, ou a alma de sentir a liberdade. Estar bem por habitar a cronografia de outra germinação. Tudo isto é realista.

voz

Espelho
Prata
Voz ouvinte
Seguinte

Sensação
Sabor
Espelho que volta e limita
Apenas imita
Ovação
Resplendor
Algo como dor, angor

Velho
Voz
Sonho insiste
Prata reflecte e desiste

Diz
Faz
Sente
Serena
Peso dormente
Fogo intenso
Descobre a mão que acolhe
Escolhe

Espelho de prata
A voz persiste