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A mostrar mensagens de 2010

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espaço

Espaço protegido e que protege
Sabor ferido e que emerge
Absorve a loucura da razão
A passividade de uma mão
Que se fecha, e abre se...
Abre-se, porque se fecha
Mais rápida que uma volátil flecha
E de volta ao espaço encontro
O segredo guardado no epicentro
Que se abre, e fecha se...
Abre-se e não custa falar
Desinquieto procuro o lugar
Às vezes parece que nada faz sentido
Mesmo que nada seja omitido
Que apenas se abre, e se fecha; se...

opiniões

Nunca foi tão fácil expressar opiniões como agora.
Nunca foi tão difícil demonstrar emoções como agora.

Todos se queixam de que já ninguém se importa com ninguém, que cada um quer saber apenas dos seus interesses. Esta opinião é comum a todos, e todos se sentem afectados pela realidade que afirmma, mas a verdade é que tudo continua igual. Então isso significa que os que se queixam, são os mesmos que o fazem.

Afinal, sinto que as opiniões manifestadas por todos aqueles que antes se silenciavam são fabricadas pelos mesmos que já as tinham em exclusivo. Então tudo continua na mesma. Talvez tenham melhorado as condições para a produção de bons espectáculos de marionetas.

Ainda tudo está igual. Ainda continua a ser praticamente impossível escrever um poema apenas com ideias e palavras positivas que seja considerado profundo e capaz de mudar um rumo, porque ainda ninguém se identifica com esta linguagem.

Ainda há muitos dentes para perder; o crânio ainda tem muito para aumentar; a cauda ainda da…

ida

Sentados na vida, escolhemos tempos sem ida.
Ainda há quase tudo a fazer, deixar o vento crescer.
Aqui fica o sonho que incide, é só o som do momento que decide.
Ficar assim, a olhar de mim, vendo tudo, vendado num fim.
Exprimir e expremer o coração, sorrindo de longe e de mais perto à ambição.
Acreditar que há o mais além, abraçar o calor de alguém.
Separar enfim o joio, murmurar um feliz apoio.

aqui

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*andorinhas _____________________ Estamos aqui Somos o que vemos Queremos o que temos

panorama

Uma montanha que vejo
Que sinto
Que passo
E não esqueço

Reconheço o sabor
Sem dor
Nem embaraço

É tudo distinto
Secreto
Um compasso

Num ensejo
Não me minto
O tempo aos olhos é escasso
E faz viver o amor

dizer

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Dizer o que se sente
É sempre o mais fácil
Também se pode não dizer
Também se pode mentir

Mas aí o sol não nasce
A noite sente-se ruir
O rio deixa de correr
A maré deixa de subir

O mundo fica ausente
A pele indócil
Mas o momento renasce
Se um sentimento fluir

laje

Um perfeito caminho
De lajes soltas
Crestadas num vértice
Compõem a entrada

Palavras escusas
Em trigo envoltas
Omitem-se na réplica
Esquecem a estrada

Ao longe um moinho
De colossais velas ocultas
Permite em cada ápice
Aquecer o meu peito

São pedras difusas
Enleadas e revoltas
Num eterno que se aplica
A tudo o que está feito

espaços

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Os espaços influem em realidades opostas
As certezas convenientes dissipam as virtudes
Num discurso sereno ampliam-se as vontades
Num secreto mundo de viagens impostas

Há mais momentos que intentos
Espero poder servir cada segundo
Interessa-me viver o mundo
Numa feliz alternância de momentos

E a paz segura tudo acalma
Vivida na esperança da viagem
Na maré a espuma solta-se na aragem
Com o momento que difunde a alma

muito mais

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É muito mais que uma simples janela velha
Muito mais que um vidro fosco
Para além do que nos permite imaginar a envolvência
Uma casa velha, repleta de teias de aranha
Um abandono
Que faz esquecer uma história, sabe-se lá com que contornos e desfechos
Mas como disse, é muito mais que tudo isso
É um vidro que está sujo e já quase nada protege
Um vidro que pouco pode fazer com um telhado que não existe
Porém é generoso, permitindo tudo o que se pode ver para além do que se vê
É um céu e as suas nuvens

parte de tudo

Voltei atrás para poder seguir em frente.
Na vida isso representa um caminho contínuo de imensas nuances e esferas que confluem num mesmo objectivo, concluindo cada passo uma corrente de evolução e envolvimento com um ser que é, antes de mais, um aliado: eu mesmo.
Tudo para que possa ser parte de tudo o que amo.

hoje e ontem... amanhã?

«A juventude de hoje ama o luxo; falta-lhe persistência, ridiculariza a autoridade e não tem qualquer respeito pelos mais velhos. As crianças... já não se levantam quando uma pessoa de idade entra numa sala onde elas estejam, contradizem os pais, estão à mesa como glutões e infernizam a vida dos seus mestres.»
Sócrates, século V a.C.

Extraído do livro: "Psicologia do adolescente", de Pierre G. Coslin, Instituto Piaget, 2002