passatempo

Deixo o insecto voar sobre a cama
Apago a luz reluzente para ver se ele me deixa
Morro perto da fome que cruza a lama
Faço cozido da vontade antes que ela morra
Chamo os cabelos vivos colhidos na manhã
Vejo olhos bonitos tremer à luz da lenta chama
Olho o peso coberto pelo clarão azul
Sinto-me bem aguerrido quando a lupa finge que olha
Passo assim o tempo
Sem nada para atempar
Rasgo assim o vento
Sem ponteiro a derrapar
Assim se enganam os mundos
Loucos, os normais, que nada sabem
Que nada sabem e que tudo querem
Eu que nada sei
Eu que sonho e sempre sonhei
E esqueço

Peço a laje que me queima
Esmaga os dedos sem motivo
Não morro, não respiro, mas estou vivo
Parece-me o fundo
Só conheço este mundo
Procuro outros que me acordem
O auxílio urge e surge
Também alguém que ainda me lê
Enfrento o combate sem saber porquê
Afinal porque o tempo passa
Também consegue amadurecer
A expectativa seguiu o penoso alvitre
Não há razão para esquecer
Louco, eu, que descubro o que sempre sei

O que sempre soube
A canção de alguém que não ouve
Entende, não desespera
Aguarda e persevera
Eu mudo com o mundo
Mesmo que ele não mude, ou seja mudo
A certeza vive cá no fundo
Em cada segundo
Ao lado do tempo que sempre vive
Num toque de veludo
Muito mais do que sobrevive

Eu paro e reparo que o tempo não pára

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