existência secular

Dia após dia, tendo a lua, o sol, as nuvens, as estrelas, o vento, e toda essa lista interminável de essências por companhia, e mesmo assim, tão só. Tão esquecida do alto da sua existência secular, tantas vezes realçada pela degradação dos seus pedaços, que se desmoronam, involuntários a tudo o que vêem; e que sentem. Talvez porque não compreendem. Porque se limitam a resistir até ao fim das suas forças, cada vez mais próximas do limite, que acabam por deixar as fraquezas, cada vez mais evidentes.
E ninguém perdoa ninguém. A essência não reconhece a periferia, que não acredita estar ligada a um eixo. E todos se criticam, sem que haja espaço para a gratidão, pelo esforço que, afinal, todos produzem, mas de forma isolada.
E assim, os telhados com as vigas descobertas deixam o soalho apodrecer. Provocam uma corrente de ar que as janelas não seguram, que as portas não detêm.
Todos estimulam um desarranjo, que conciliado com o pó, não deixa sossegar os móveis; nem as louças, que se estilhaçam; nem os tecidos, que se rasgam.
Só fica o desperdício. O passado, que já ninguém se lembra de compreender, que já quase se esvaiu no nada, por estar tão rodeado de coisa nenhuma.
Só ficou um detrito da mansão que já mal se vê lá em baixo, ao fundo da rua, quase coberta pela vegetação, que só por si, é muito mais vigorosa e resplandecente. Muito mais admirável. Com muito mais para dizer. Porque dentro dela corre seiva. A diferença é que ela o sabe.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Insípido