deitada sobre si mesma

Deitada sobre si mesma, no seu corpo de riscas brancas, como zebra, inquieta-se com as acções disformes que testemunha com vil desagrado.
A chuva escorre junto aos passeios de calcário, de um lado, e de cimento do outro; desce a ladeira, como descem os automóveis com mil pressas, e poucas contemplações.
Tenta comunicar com a sua companheira, que se alonga um pouco mais acima, tão surda como os demais, apoiada por sinais de luzes verdes e vermelhas; e verdes, amarelas e vermelhas, onde ninguém pára se não for obrigado, e é esse o mistério.
Onde os sinais não dizem para parar, por vezes os automóveis param, num acto natural de respeito e civismo; onde os sinais dizem que se deve parar, ninguém o faz a menos que seja obrigado.
Deitada sobre si mesma, sente a chuva e o sol, e todos os elementos.

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