terça-feira, 6 de março de 2007

por nada

Saiu para a rua enquanto todos dormiam.
A noite estava bonita, porém um pouco fria. O que não impedia, passo a passo, que fosse deixando a casa mais distante. Se olhasse para trás, já só iria vê-la lá ao fundo.
A brisa transportava o leve aroma salgado do mar; também o suave e calmo bater das ondas, lá em baixo transformadas em espuma, apenas visíveis por a noite estar tão clara.
Chegou-se à beira da falésia, olhou para baixo, abatido, e sentiu um arrepio. Deu dois passos atrás, enquanto tentava controlar uma tontura que lhe distorcia a visão, já mais habituada à noite.
Sem mais movimentos, pensou no que é, no que sempre quis ser. Pensou no porquê de estar ali; em muitas coisas que ouviu, falou, e que viveu.
Deu mais dois passos atrás.
Regressou, pelo mesmo caminho. Pouco depois, já podia ver a casa, lá ao fundo.
Deitou-se. Fechou os olhos, logo depois de ter visto a claridade da noite, para lá das cortinas.

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