desejo corado de doçura

Todos os anos, muito perto da chegada do Inverno a sua mente alterava-se. Ficava preenchida por um só pensamento. E por esses dias, sem pensar em mais nada, espreitava da janela do seu quarto, no primeiro andar, insistentemente, à procura do melhor momento para agir. Magicando a melhor maneira de abordar a situação.
Era um desejo enorme e infalível, aquele que a invadia e incendiava. Aquele que a fazia desabotoar-se. Que lhe ocupava a alma, e lhe fazia crescer água na boca, de doçura. Aquele amor corado, cheio de vitalidade.
Então numa linda manhã, sob uma sublime e misteriosa neblina, saiu de casa, excitada. Esgueirava-se pelas ruas, por entre os muros e as sebes, tentando passar despercebida, e num gesto repentino, saiu da estrada. Atravessou os campos, até que chegou ao deslumbrante laranjal.
Sentia-se atravessada por uma deliciosa emoção. Que lhe colmatava as carências.
Sem hesitar, abriu o casaco, e encheu-o de fogosos citrinos, e correu para casa.

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