quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

a vida pintada de branco

O vento que assola, que desola, não perturba. Parece que... até dá força.
As escarpas brancas (será que de medo, talvez de lhaneza?), continuam lá. Firmes como sempre. Mas estas têm um sentido especial. Junto delas está a vida.
A sua vida, ou... as vidas a que deu origem.
Este ano não está fácil. É preciso ir longe. E desta vez até foi rápido.
Finalmente. Lá estão eles. Mais esfomeados que nunca. Parece que começam a perceber o que está para chegar.
Alegria saciante. O caminho para o tempo percorrido, e sem esquecer o que falta afirmar.
É esta a lei da procura do destino, de uma incansável ave de rapina.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

a magia


A magia de um fim de tarde de fevereiro na praia da Foz do Arelho (Caldas da Rainha), junto à aberta da Lagoa de Óbidos.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

águas serenas também se agitam, também serenam

Junto ao rio a vida passa devagar. Acompanha a descida das águas. Que sobem com as chuvas e com as marés, cobrindo a areia dourada ao sol de verão. Areia que acolhe as redes e os pequenos barcos em manutenção.
Só ali se pode beber a beleza do chapinhar tímido da rasa ondulação, e dos gritos serenos das aves, em concordância com o cantar suave dos pinheiros, que dançam uma leve valsa, embalados pela aragem delicada.
Nas águas prateadas as tainhas saltam alegremente, lançando para o céu azul, aqui e ali cuidadosamente ornamentado por grossas pinceladas de branco, feixes de luz intermitente. Numa comunicação de esperança, visível de todo o universo. Envolta numa generosa declaração de paz, que faz bater o mais pesado dos corações, sepultado e empedrado na imensidão de infortúnios e contrariedades.
Corações escorraçados de si mesmos. Desabrigados, deambulando vazios de ambições e emoções. Sem um sentido. Sem orientação. Inflamados apenas pelas razões aparentes. Inconsequentes. Impregnadas de vícios que desconhecem. Doentes por falta de sangue frequente. Rasgados por excessos, que não fazem falta. Que apenas poluem a abundância.

Mas voltemos ao rio, que continua a correr, genuíno.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

palavra tabu


As palavras que não digo.
As palavras que não quero dizer.
Aquelas que ninguém quer ouvir.
As outras que falam por si.
As que ficam por dizer.
Afinal as que comparecem.

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